
Um ano após a implementação do novo Ensino Médio em todas as escolas públicas e privadas do país, autoridades no campo da educação ainda avaliam como a implementação das mudanças na grade curricular dos estudantes pode ser aperfeiçoada.
No estado de São Paulo, o secretário de Educação, Renato Feder, diz que estuda reduzir as opções do chamado itinerário formativo dos estudantes – conjuntos de disciplinas focados em uma ou mais áreas específicas do conhecimento.

A ideia de uma grade curricular flexível seria contribuir para um ensino profissionalizante, com formação técnica voltado para o mercado de trabalho. Na rede pública, disciplinas como “brigadeiro caseiro” acabam ganhando espaço, em detrimento de grades curriculares mais tradicionais, como história e sociologia.
A pedagoga Anna Helena Altenfelder defende que essas lacunas ainda não corrigidas acabam ampliando desigualdades históricas e precarizando a educação dos jovens.
“Qualquer política educacional no Brasil precisa, antes de mais nada, pensar no enfrentamento das desigualdades”, afirma Altenfelder em entrevista ao podcast O Assunto.
“Nós não podemos admitir, nem permitir que exista uma escola para os ricos e outras para os pobres e que qualquer coisa serve para a maioria da população, muito pelo contrário. Não posso imaginar o que brigadeiro caseiro pode trazer de contribuição para o desenvolvimento da cidadania, para uma inserção no mercado de trabalho, para efetivamente o desenvolvimento integral. Esse é um risco que já era apontado”, diz.
O novo ensino médio, implementado em 2017 pelo governo federal, vem sendo alvo de diversas críticas e polêmicas desde sua aprovação. A proposta, que prevê a flexibilização do currículo e a possibilidade de escolha de itinerários formativos pelos estudantes, tem gerado debates acalorados entre especialistas e a sociedade em geral.
Dentre as principais críticas ao novo ensino médio, destaca-se a falta de investimentos na formação de professores e na estruturação das escolas para a nova modalidade.
Além disso, muitos argumentam que a flexibilização curricular pode gerar ainda mais desigualdade, permitindo que alunos de escolas particulares tenham uma formação mais abrangente e de melhor qualidade em relação aos estudantes de escolas públicas.
Para a pedagoga Renata Aquino, a implementação do novo ensino médio é importante, mas é preciso ter cuidado para que a proposta não gere ainda mais desigualdade.
“Não podemos permitir que exista uma escola para jovens ricos e outra para os pobres”, afirma Aquino.
No entanto, nem todos concordam com a opinião da pedagoga. Para alguns, a flexibilização curricular pode ser uma oportunidade para que os estudantes tenham uma formação mais voltada para suas necessidades e interesses, além de prepará-los melhor para o mercado de trabalho.
Diante das diversas opiniões sobre o novo ensino médio, é preciso continuar o debate e buscar soluções que garantam uma educação mais igualitária e de qualidade para todos os estudantes, independentemente de sua origem social.
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